Os desafios da agricultura e novas tecnologias para o futuro da produção.

   A demanda por alimentos e o crescimento populacional trazem para a produção agrícola, inúmeros desafios e oportunidades. Tornar as práticas agropecuárias mais eficientes ao mesmo tempo em que se preserva e, inclusive, recupera o meio-ambiente é o principal anseio da sociedade atual. As mudanças climáticas, degradação dos solos e perda da biodiversidade tem sido alguns danos ocasionados pelo mau uso da terra, o que torna imprescindível a restauração da natureza para enfrentar possíveis crises no ecossistema. 

 

   Técnicas de manejo utilizadas sem discriminação podem impactar a fertilidade do solo e a resiliência das atividades agrícolas. Nesse sentido, a perda de solos produtivos traz grande prejuízo para a produção de alimentos e a segurança alimentar. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), existem cerca de 130 milhões de hectares de pastagens degradadas que precisam de restauração. Além disso, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) calcula que a temperatura média global do planeta pode sofrer um aumento 1,8°C e 4,0°C nos próximos 100 anos, configurando um impacto significativo para o meio-ambiente e para a sociedade. 

   Isso significa que os esforços de conservação por si só não são suficientes para evitar o uso indiscriminado de recursos naturais e a perda da biodiversidade. Em virtude desse cenário, o objetivo das práticas agrícolas de regeneração é produzir mais com menos. Ou seja, incrementar a produtividade e, ao mesmo tempo, utilizar menos recursos do nosso planeta – menos terra, água e energia; menos produtos químicos; menor emissão de gases de efeito estufa e menor risco de degradação do solo.

 

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   Novas tecnologias estão ganhando espaço rapidamente na produção agrícola para a mitigação desses riscos e ampliação das práticas sustentáveis. O mercado de bioinsumos, chamados a serem protagonistas da agricultura do futuro, atingiu R$ 1,7 bilhão em negócios na safra 2020/2021, configurando aumento de 37% em relação ao volume comercializado na safra anterior, segundo pesquisa divulgada pela Spark Inteligência Estratégica. Tal crescimento apenas reforça a consolidação desses produtos como importantes ferramentas de manejo nas principais culturas agrícolas.

   Os produtos biológicos entram como alternativa ou complemento aos fertilizantes e defensivos químicos utilizados no manejo convencional. Os microrganismos presentes nos bioinsumos possuem importante papel na sustentação e melhoria da produção e proteção das culturas. Seu potencial está no auxílio ao cumprimento das necessidades nutricionais do solo, na ampliação da absorção de água pelas plantas, na otimização do desempenho dos insumos, na melhoria da saúde do solo, na maior resistência ao ataque de patógenos, na promoção do crescimento e desenvolvimento das culturas e, consequentemente, no aumento da rentabilidade da sua lavoura! Você, produtor, já utiliza os bioinsumos. Vale a pena conhecer!

 

 

 

Marcos Fava Neves é Professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP em Ribeirão Preto e da EAESP/FGV em São Paulo, especialista em planejamento estratégico do agronegócio. 

Vinícius Cambaúva é associado na Markestrat Group, formado em Engenharia Agronômica pela FCAV/UNESP e aluno de mestrado na FEA/USP em Ribeirão Preto – SP.

Beatriz Papa Casagrande é consultora na Markestrat Group, graduada em Engenharia Agronômica pela ESALQ/USP e aluna de mestrado na FEA/USP em Ribeirão Preto – SP.